O Segundo Ato

O Teatro Mágico – Segundo Ato.
Dia 02/08/2008 – Lona Cultural João Bosco – Rio de Janeiro,RJ
Por Juliana Storino

Logo na chegada, escutei o seguinte diálogo:
– Mas você não trouxe a tinta rosa?
– Eu esqueci.
– E agora? Não acredito, cara!!!

Uma fila de aproximadamente 200 pessoas aguardando a abertura dos portões.
Pessoas de todas as idades e sexos, ansiosas pelo início do espetáculo.
Mãe, e filha adolescente, com os rostos pintados, e empolgadas para ver Anitelli e sua trupe.

Crianças dizendo: “Quando eu crescer, quero ser que nem a Gabi”

Fila também na lojinha, onde Sr. Odácio Anitelli e Marcelo Matias vendem os CD’s,
o DVD e as famosas camisas com as frases de Anitelli.
Segundo Marcelo, o que mais sai, ainda são os CD’s, apesar de as camisas também terem uma boa tiragem.

Momentos antes do show, vê-se pessoas pintando o rosto, e colocando narizes de palhaço.Todos vestindo seus melhores personagens.

Antes do espetáculo, a apresentação da banda de abertura – 3 Steps – empolga o público, que parece conhecer a também independente banda, e suas canções.

Começado o famoso sarau de Anitelli. O show começa com 20 minutos de atraso.
O público vai ao delírio, quando Fernando com sua voz contagiante dá o primeiro grito: “A Poesia prevalece!”

Pessoas vibrando, e se emocionando com “Amadurecência”, que é o que de fato se percebe nesta repaginação do show da trupe.

A primeira mudança, se vê no cenário.
Onde os bichinhos de pelúcia, usados nas apresentações do primeiro CD, deram lugar à flores de plástico, cortina vermelha, e um palco com menos adorno.


O figurino dos artistas também mudou. Está mais elaborado, com mais detalhes.
Anitelli trocou os retalhos coloridos de sua “saia”, por cordões em contas amarelas.


Gabriela Veiga, aposentou o vestido rosa de boneca, e optou por um look mais sensual;
passou a usar um collant roxo e preto, com as extremidades coloridas, cheios de laços e fitas, e uma cinta liga. Tirou as fitinhas do cabelo, que agora, usa semi-solto, com um belo arranjo de paetês na cabeça.
Galdino, por sua vez, usa meias vermelhas, sem sapatos.
Porém, as maquiagens, são as mesmas do show “Entrada para Raros”

Logo, a trupe emenda com Abaçaido e Camarada D’água, para o delírio dos fãs.
O entrosamento da trupe é realmente algo que chama a atenção.

Em seguida, durante a canção “ Uma parte que não tinha” , Gabriela Veiga, desce rodopiando em grande velocidade no tecido.
Pronto. É o momento em que todas as atenções saem do meio do palco, e vão para sua adjacência.

Em “O mérito e o monstro”, Fernando Anitelli  expõe as duas faces do trabalho –brilhantemente, aliás.

Onde o mérito, é conseguir um emprego em um país como o Brasil. E o monstro, é tudo que o brasileiro precisa se submeter para se manter neste emprego.

Durante a música, adentra ao palco Rober, em cima de pernas e braços de pau, usando máscara, e uma roupa preta. Eis o monstro.

Em seguida o grupo toca uma canção inspirada em um conto de mesmo título do escritor alemão Herman Hesse –  “O Sonho de Uma Flauta”

A trupe canta ainda: Cidadão de papelão, Eu não sou Chico (Mas quero tentar) e Pratododia.

Após, a trupe se despede e sai do palco.
O publico grita pedindo sua volta. Eles dizem: “Raul Seixas!”
Então, os fãs entoam em uníssono o refrão de Camarada D’água, que faz com que a banda retorne ao palco e continue o espetáculo.

Neste momento, então, Anitelli fala sobre a arte independente:

“Podem piratear nosso material. Ninguém pensa no trabalhador, que não tem R$ 40,00 para pagar em um CD. E muitas das vezes, desses R$ 40,00, nem 1,00 vai para o artista.”
Fala o vocalista, a respeito das propostas das gravadoras.

E critica as palavras de Fagner contra Gilberto Gil:

“O Fagner – aquele que tem um açude em casa – criticou o Gilberto Gil:
Disse que a Internet é uma incógnita.
Ora! É uma incógnita pra ele, que não sabe usar.
A Internet é uma realidade!
É uma ferramenta poderosíssima! E se não fosse a Internet, nós não estaríamos aqui hoje”


Então, o sarau continua com a canção: “Sina Nossa” e “Pena”, onde Rober e Gabriela Veiga se apresentam no trapézio, dando um show de equilíbrio, força e sincronia.

Em seguida, a trupe brinca com o público cantando “Plunkt plakt zum” de Raul Seixas. E emenda em um Pout-Pourri, finalizando com a musica mais esperada da noite: “O Anjo Mais Velho”

Terminado o espetáculo, todos correm para a porta do camarim, por onde os artistas da trupe saem para cumprimentar o público.

A ansiedade por a saída de Fernando Anitelli é nítida. Principalmente por parte das fãs adolescentes da trupe, que fazem um escarcéu novo, a cada artista que passa.

Fotos, fotos e mais fotos são tiradas, sempre pacientemente, e simpaticamente por cada componente da trupe.

Com quase duas horas de espera, e muito menos gente no pátio, sai Fernando Anitelli.
Já sem sua maquiagem, e perceptivelmente cansado, e abatido. Mas mesmo assim, ele vai ao público. Atende a todos, sempre com um sorriso estampado no rosto, e esbanjando simpatia e elegância.

Agora, passando da linguagem informativa, para a linguagem emotiva.

Show? Sarau? Nada disso. É realmente um espetáculo.
Um espetáculo democrático, onde cada artista tem seu momento de brilhar, maestrado brilhantemente por Fernando Anitelli.

É lindo de ver a paixão que cada um daqueles artistas, mesmo com toda a dificuldade da arte independente, têm em estar ali, em cima do palco, dando um show de entrosamento, e simpatia.

Todos os membros desta trupe estão mais que de parabéns.

Também tive meu momento tiete, e tirei fotos com cada um deles.
Inclusive com O CARA. Mas como ele estava sem maquiagem, eu não publicarei esta foto, em respeito ao trabalho da trupe.

Agora, quando vierem me perguntar o que é O Teatro Mágico, ficarei meio sem resposta.
Ao invés de tentar explicar que é como um jogral, que é música, teatro e circo tudo junto, terei de responder assim:
“O teatro mágico? Hmmm… é assim: É um Teatro. Mágico!”

Por quê?
Simples.
Porque não há NADA, absolutamente NADA igual, ou sequer parecido com esta trupe.
Não tem com o que ser comparado!

Parabéns a todos os integrantes da trupe. E cada vez mais sucesso.

[FAÍSCA] BOM PÁ C@&@#% … Eu amo o Chico (Mas tenho que falar) Ô Anitelli… Responde ae…Tu num é o Chico. Mas tu quer tentar o que, cara? Ser modesto!? Porque, vou te falar legal: Tua poesia não fica nem um pouco pra trás, rapá! [/ FAÍSCA]


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